Are you afraid of Electroconvulsive Therapy? // Você tem medo de Eletroconvulsoterapia?

I do. But not for the reasons that seem most logical and common. Unlike what most people think, the "shock" treatment that is electroconvulsive therapy is, if not the safest, one of the safest psychiatric treatments available. To give you an idea, it is so safe that it is literally the "gold standard" treatment used in pregnant women in critical psychological states, because it affects the baby so little. But, as usual, we will start at the beginning, or at least give an overview of the concept and its history.


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Despite the great evolution in terms of quality and technology involving electroconvulsive therapy, the system has been the same since 1938. It basically consists of generating seizures through electricity to treat refractory and difficult-to-solve disorders. This electricity is usually 70 to 120 volts, and its application through the electrodes is a maximum of 6 seconds, and can vary in terms of the path taken by the electricity. Yet it is worth noting that even within this safe range, only 1% of this electricity actually enters the brain due to the impedance of the human skull. The system was first used by the Italian psychiatrist Ugo Cerletti, and soon became the new standard for treating complex psychiatric disorders and dysfunctions instead of much less safe drugs. Given its safety, it can be said that the only existing side effects are a certain temporary confusion and a loss of recent memory, and this is a point that I would like to elaborate on a bit, soon. But first to finish the general explanation of the treatment. Electroconvulsive therapy is normally repeated up to a maximum of 20 sessions, sometimes every other week, sometimes weekly, and in more extreme cases even more times per week. Usually the treatment starts to have good responses in the very first sessions, if this does not happen up to a maximum of 20 sessions, it is hardly worthwhile to keep trying.


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You may wonder as you read this: Why choose a treatment that seems so drastic? Well, not because it is unsafe, but exactly because it seems so drastic is why ECT or Electroconvulsive Therapy is left as one of the last choices, why only people who have already gone through a long journey of mental suffering and unsuccessful attempts with the most varieties of medication categories will be willing to try something that seems even "wrong" for health. Oh yes, and I missed one important piece of information: You don't feel the shocks. You are anesthetized, the shock lasts a few seconds, you wake up shortly after, and you can go home. The anesthesia is general and you stay unconscious the whole time. Some say that some of the side effects come more from the anesthesia itself than from the shock itself. Anyway, forget that vision of a madman strapped to a stretcher with a wooden stick in his mouth, wet pads on his temples, and an insensitive and obscure doctor applying violent shocks. But I will now delve deeper into what bothers me about ECT as I commented above.


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Memory loss (said to be temporary, but sometimes permanent) seems to be a fairly present side effect. I don't say this based on scientific double-blind studies or the like, but by the massive amount of anecdotal reports of people with some disorder who used electroconvulsive therapy and noticed a considerable loss of memory, especially from the moment they started the treatment onwards, as if their days and years were vague and not very memorable. Perhaps it is worth counterarguing myself by reminding that a chronic cannabis user may experience something similar, or even a long-time dependent of benzodiazepines in high doses (which may even be part of the ECT problem, since the use of some benzo is part of the pre-therapy anesthetic procedure). Of course this memory loss is not absurd, nor does it affect all patients, maybe only a part of them. In addition there is apparently a possible loss in cognitive quality, a decrease in the acuity of reasoning. And in my view this is always a big problem in psychiatric therapies, losing the quality of your intellect and cognition is a definite NO for me, unless NOTHING else can be used alternatively.


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I conclude this brief overview of the treatment with an unexplained explanation of the mechanism of action of the therapy. Despite being one of the oldest treatments, it is still not fully understood how shock-induced convulsions can help in psychiatric treatment. What is unfortunately very common in psychiatry, even though there are numerous options, nothing is really known about anything. There are famous cases of great success in treatment and also failures, as in my favorite author David Foster Wallace. It is up to each patient and doctor to decide together for the desired course of treatment. I leave some pages with good content on the subject here for those who want to delve deeper. Thanks for reading and for your attention!

Materials used to write this article: 1, 2, 3 and 4

Thômas Helon Blum

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Eu tenho. Mas não pelos motivos que parecem mais lógicos e comuns. Diferente do que a maioria das pessoas imagina, o tratamento de "choque", que é a eletroconvulsoterapia é se não o mais, um dos mais seguros tratamentos psiquiátricos existentes. Pra se ter uma ideia, é tão seguro que é literalmente o tratamento "padrão ouro" utilizado em gestantes em estados críticos psicológicos, porque afeta muito pouco o bebê. Mas, como de costume, começaremos pelo começo, ou ao menos dando um panorama do conceito e sua história.


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Apesar da grande evolução em termos de qualidade e tecnologia envolvendo a eletroconvulsoterapia, o sistema é o mesmo desde 1938. Consiste basicamente em gerar convulsões através da eletricidade para tratar transtornos refratários e de difícil solução. Essa eletricidade é normalmente de 70 a 120 volts e sua aplicação através dos eletrodos é de no máximo 6 segundos e pode variar em termos de caminho percorrido pela eletricidade. Ainda assim é bom afirmar que mesmo dentro dessa faixa segura, apenas 1% dessa eletricidade de fato entra no cérebro devido a impedância existente no crânio humano. O sistema foi pela primeira vez utilizado pelo psiquiatra italiano Ugo Cerletti e logo tornou-se o novo padrão para tratar disfunções e transtornos complexos da psiquiatria ao invés de medicamentos muito menos seguros. Dado sua segurança, pode se dizer que os únicos efeitos colaterais existentes são uma certa confusão temporária e uma perda da memória recente, e esse é um ponto que eu gostaria de aprofundar um pouco, em breve. Mas primeiro para finalizar a explicação geral do tratamento. A eletroconvulsoterapia é repetida normalmente até no máximo 20 sessões, às vezes de 15 em 15 dias, as vezes semanalmente e em casos mais extremos até mais vezes por semana. Normalmente o tratamento começa a ter boas respostas logo nas primeiras sessões, se isso não acontecer até no máximo 20 sessões, dificilmente valerá à pena continuar tentando.


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Talvez você se questione ao ler isso: -Por que escolher um tratamento que parece ser tão drástico? Bom, não por ser pouco seguro, mas exatamente por parecer tão drástico é que o ECT ou Eletroconvulsoterapia é deixada como uma das últimas escolhas, por que apenas pessoas que já passaram por uma longa jornada de sofrimento mental e de tentativas infrutíferas com as mais variedades categorias medicamentosas estarão dispostas a tentar algo que parece até mesmo "errado" para a saúde. Ah sim, e faltou eu dar uma informação importante: Você não sente os choques. Você é anestesiado, o choque dura poucos segundos, você acorda pouco tempo depois e pode ir para casa. A anestesia é geral e você fica desacordado o tempo todo. Há quem diga que parte dos efeitos colaterais vem mais da própria anestesia do que do choque em si. De qualquer forma, esqueça aquela visão de um louco amarrado na maca com uma madeira na boca, buchas molhadas em suas têmporas e um doutor insensível e obscuro aplicando choques violentos. Mas vou agora aprofundar-me sobre o que me incomoda na ECT, tal qual eu comentei acima.


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A perda de memória (dita como temporária, mas as vezes permanente) parece ser um efeito colateral bastante presente. Não digo isso baseando-me em estudos científicos com duplo-cego ou coisas do tipo, mas pela massiva quantidade de relatos anedóticos de pessoas com algum transtorno que utilizaram a eletroconvulsoterapia e perceberam uma perda considerável de memória, principalmente do momento que começaram o tratamento em diante, como se seus dias e anos fossem vagos e pouco memoráveis. Talvez seja bom contra-argumentar eu mesmo lembrando que um usuário crônico de cannabis pode passar por algo semelhante, ou ainda um dependente de longa data de benzodiazepínicos em doses altas (o que inclusive pode ser parte do problema da ECT, dado que o uso de algum benzo faz parte do procedimento anestésico pré-terapia). Lógico que essa perda de memória não é absurda e nem abrange todos os pacientes, talvez apenas uma parte deles. Além disso existe aparentemente uma possível perda na qualidade cognitiva, uma diminuição da acuidade do raciocínio. E ao meu ver, isso é sempre um grande problema nas terapias psiquiátricas, perder a qualidade de seu intelecto e cognição é um NÃO definitivo para mim, há não ser que NADA mais possa ser utilizado em alternativa.


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Concluo esse breve panorama do tratamento com uma explicação nada explicativa sobre o mecanismo de ação da terapia. Apesar de ser um dos tratamentos mais antigos, ainda não se compreende completamente como é que as convulsões causadas pelo choque podem auxiliar no tratamento psiquiátrico. O que infelizmente é muito comum na psiquiatria, ainda que existam inúmeras opções, nada se sabe de fato, sobre nada. Existem casos famosos de grande sucesso no tratamento e também de fracassos, como em meu autor favorito David Foster Wallace. Cabe a cada paciente e médico decidirem juntos pelo rumo desejado no tratamento. Deixo algumas páginas com bons conteúdos sobre o tema aqui para quem quiser se aprofundar. Obrigado pela leitura e atenção!

Materiais utilizados para escrever esse artigo: 1, 2, 3 e 4

Thômas Helon Blum



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Obrigado por promover a comunidade Hive-BR em suas postagens.

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Post muito interessante, um tema ainda considerado um tabu enorme.
Qual sua formação ?

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Minha formação é só a vida mesmo haha. Eu não tenho diplomas acadêmicos, mas gosto demais do conteúdo de psiquiatria e psicologia, estou sempre estudando o assunto, além de outros temas também! :) Obrigado por ler e comentar!

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Caramba kkkk fiquei supreso agora. Sou estudante da área da saúde e gosto de mais do seu conteúdo.

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